CGTP-IN: “O QUE É A REFORMA AGRÁRIA”

1. CGTP-IN: <<LEI BARRETO>> UM PROJECTO DE REGRESSO AO PASSADO

Da responsabilidade do Secretariado da CGTP-IN o documento “O que é a Reforma Agrária”, de 11.7.1977, é sem dúvida um documento da maior importância para quem quiser compreender o real significado da famigerada “Lei Barreto” e o papel do PS, sob a direcção de Mário Soares, na destruição criminosa e anti-constitucional da “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo”.

Bem pode António Barreto, do alto da sua sapiente postura, vociferar e destilar o seu ódio visceral contra os comunistas, os sindicatos e as Unidades Colectivas de Produção Agrícola que o enfrentaram, desmascararam e derrotaram nas suas tentativas de convencer a opinião pública da bondade da sua famigerada lei e nas suas manobras divisionistas tentadas quer através das famosas desanexações forçadas, com o apoio da GNR, em prol da sua COLBA- Cooperativas Livres do Baixo Alentejo, quer das suas manhosas manipulações e vergonhosas chantagens no sentido de convencer os trabalhadores a aceitar a transformação das suas Unidades Colectivas de Produção em explorações do estado e pelo estado dirigidas, que ardilosamente designou de UECT.s – Unidades de Exploração Colectiva de Trabalhadores para fugir aquele que era realmente o seu objectivo, ou seja, a estatização de todas as terras na posse dos trabalhadores e a nomeação clientelar dos gestores das mesmas. Curiosamente, ou não, porque sem vergonha na cara, fazer exatamente aquilo de que ele e o estado maior do PS, acusavam mentirosamente o PCP e os Sindicatos. (ver Capítulo XIV de REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo”)

Bem pode procurar, através das mentiras um milhão de vezes repetidas, cuidadosa e convenientemente propagandeadas pela subserviente comunicação social, com o apoio de poderosas fundações, e as repetidas citações das mesmas como absolutas e incontestadas verdades por alguns historiadores de pacotilha, tentar convencer a opinião pública que a sua criminosa “Lei Barreto” era uma boa lei. Uma lei democrática, que respeitava a letra e o espírito da Constituição da República, respeitadora dos direitos e interesses dos trabalhadores e dos pequenos e médios agricultores, cuja aplicação, iria libertar o Alentejo e Sul do Ribatejo da ameaça comunista, acabar com um estado dentro do estado, repor a legalidade e assegurar a sociedade da paz e abundância, pondo fim à política de miséria e fome existente nas UCP.s… enfim, a ladaínha mentirosa própria de quem, de má consciência, tudo faz para sacudir a água do capote e procurar apresentar-se como o salvador da democracia… o corajoso democrata que evitou a guerra civil… o cidadão impoluto sem o qual teríamos perdido a Liberdade…

A leitura das 35 páginas que constituem “O que é a Reforma Agrária” constituem uma excelente demonstração do real significado da famigerada lei que António Barreto tanto gosta de invocar e de que tanto se orgulha afirmando, com sobranceria e como se de facto irrefutável se tratasse, que se os comunistas tivesse aceite as suas propostas, isto é, se o PCP tivesse capitulado e tivesse aceite a reconstituição da propriedade latifundiária, o Alentejo seria hoje o melhor dos mundos…

Isto não se pode considerar apenas desonestidade política e intelectual… isto é um verdadeiro insulto à inteligência do Povo Português…

Mais cedo ou mais tarde a História os julgará. A ele António Barreto e a todos os que na sua esteira promoveram a “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo, condenando à morte lenta, um Povo-Uma Cultura-Uma Região… cometendo o “Alentejicídio”.

Porque os crimes políticos não prescrevem e não há juízes de serviço que os possam ilibar…

Documento elaborado segundo José Luís Judas pelo próprio com a colaboração de José Barros de Moura

LUTA POR ABRIL, pela LIBERDADE-DEMOCRACIA-SOCIALISMO!

O assassínio de Casquinha e Caravela, acto extremo da barbárie levada a cabo pelo “exército de ocupação e opressão” no Alentejo, às ordens do General Passos Esmeriz, mereceu o mais amplo repúdio e condenação de Norte a Sul do País, por parte de todos os sectores progressistas da sociedade portuguesa e, de forma particularmente expressiva, por parte da sua intelectualidade. Se para ilustrar esta página recorri à extraordinária pintura de João Hogan e nas publicações recorri a pinturas de Rogério Ribeiro ou Armando Alves, escolho agora, para relatar tão hediondo crime, até ao presente impune: “CANTATA PRANTO E LOUVOR – EM MEMÓRIA DE CASQUINHA E CARAVELA” publicado pela Edições Avante, em Setembro de 2009, da autoria de Manuel Gusmão e Filipe Chinita, alentejanos, amantes e convictos defensores da “REVOLUÇÃO AGRÁRIA”

Pela força, sensibilidade e realismo com que denúncia a violência de que foi alvo Moisés, retrato da vil repressão de que foram alvo, milhares de Homens e Mulheres, que outro crime não cometeram, que trabalhar e lutar em defesa do pão de cada dia, não posso deixar de incluir também, em “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo, um excerto do poema épico “chão e povo.além do tejo – SEIVA E SANGUE PARA SEMPRE”, do hoje poeta Filipe Chinita, destacado funcionário do PCP entre 1974 e finais de 1980, então, membro da Direcção da Organização Regional do Alentejo, a que ambos pertencíamos e que este dedicou ao não menos destacado dirigente da “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e Sul do Ribatejo, nosso comum amigo, Moisés Calado, cobardemente espancado, no acto da “Entrega de reserva na herdade da boavista …”.

a/gnr/golpeando/as nossas/costas./braços/e/mãos./a/cabeça/ainda/não!/são/eles/que/nos/atacam/

quem/(nos)/ataca/quem/(nos)/oprime/ o/alentejo

chegam-sempre-/com grande estardalhaço/em longa fila/e força/-muitos e em grupo(s)-/saindo/da/extensa/coluna/de/jeeps/ mas são eles/quem/se/protege/com capacetes.escudos.protectores.viseiras/ e p’la colleira cães/-tão- adestrados/quanto eles/ que ladram/e mordem/(como)/réplica/deles/próprios

as/armas/ bem/à/vista./ as/pernas/ bem/abertas./ todos/eles/ machos/ mui machos! /em postura/

bélica

(e)/eis que/alteiam/os/bastões/ eis que zunem/ desferindo/sobre/nós/ nós/(os) que/nos limitávamos/a ali estar/ estar(mos)/ali/sentados/sobre/a/terra/que trabalha(va)mos/ e cultiva/(va)mos/ e com que/amor!

tivemos/que/nos/levantar/à/viva/força!/(e)/de/erguer/os/braços/como/quem/se/protege

simples/gestos/de/defesa/que/não/de/ataque

heróico/(foi)/o moisés/proletário.camponês/humano.homem/grande trabalhador/meu camarada/querido/amigo/ quantas/chibatadas/sobre/ti/(não)/deflagraram/quantas/bastonadas/(não)/caíram/naquela manhã/sobre/o teu vasto/possante/corpo

eras/um homem/fisicamente/poderoso/ mas sem desejo/algum de agressividade/ um calmo homem/tranquilo e/alegre/-que da extrema entrega em que te davas/por vezes adormecias à mesa/das reuniões/ brando/eras – assim um tanto/como diz.ia ela/de mim – quase.manso/de tão/bondoso/ser(es)

dizem/que/jesus/deu/a/outra/face/ (e)/ que/terá sido/um grande homem/um santo/mesmo/ um quasi… deus/deus!/ tu/também

também/tu/ (como) grande dirigente/agrícola.e comunista/que eras/ante/o vasto painel/dos que – tal como eu -/te viam/ isolado/ à/distância/deste o exemplo/ havias-te/deixado isolar/de entre nós/ ou teremos sido nós/ que/(de nós)/ te deixamos/isolar

sem protecção/alguma/deste/o (teu) corpo/vezes sem conta/sem sequer/te/defenderes./sem sequer/esboçares defender-te./colocando tão somente/o levantado/braço/no/ar/(mas) apenas/como/ quem/se/protege./(in)tenta/proteger-se./em vão

a tua boina/ essa tua boina quasi.eterna boina/já delida/pelo/tempo/e o muito/uso/quase desfeita/sempre…/na cabeça./por vezes/parecia/até – assim visto de longe-/que/intentavas/segurá-la/para que não/caísse/(sobre/terra)/

como se mais preocupado/com ela./ a desfeita boina/ do que contigo/próprio./ com a violência/que sobre ti/se/desencadeava/não fosse (ela) cair/ e depois não mais/a conseguisses/recuperar/

mas não/ quando/caía/logo que/caía/procuravas/imediatamente/baixar-te/ e de um só gesto/num único/movimento/apanhá-la/por entre/a saraivada – de bastões-/que sobre ti/ violenta.mente / desabava(m)/continuava(m)/a desabar

não sei/-mesmo-/se na tua face/não persisti(ri)a – (pois) não o conseguia descortinar à distância -/

aquele sorriso ingénuo/e bondoso que/te enchia a/redonda/lua/do/rosto/talvez assomando-te então/um leve esgar/de troça/ e/escárnio

malhavam-te/os/cobardes/ em longa fila/armada/ malharam-te/quase/interminavel/mente/diria/(eu)

parecia até/que a apoteose/nunca/mais/teria/fim

quando/finalmente pararam/estávamos/rubros/de/cólera/e/vergonha./cólera/pela barbárie./selvático espectáculo/que havíamos presenciado./vergonha/de nós mesmos.e da humanidade/por termos sido espectadores.inoperantes/de um episódio/medievo/ a pura barbárie/à solta/ (tudo) em nome de restituir/as terras aos latifundiários/classe contra quem/fize(ra)mos/abril/ (faz) tão só/agora/cinco anos!

Largo painel/de que (eu)/fazia.era/parte/sem que/te pudéssemos – ou soubéssemos – (nós) defender/sem que/nos tenhamos rebelado/ – ou melhor – sem que/ousássemos/sequer/erguer/um só dedo/ sem que/do chão/em verdade/nos levantássemos/ aproveitando de novo/para aqui te abraçar./eu a ti/ josé

mas todos nós/moisés.vimos o teu exemplo/e logo os rostos/ruborizando/afoguearam/a nossa/cara/de homens e mulheres/ apenas grita(ra)mos.vociferando/mas isso de nada (valeu)/ de nada serviu/ lágrimas de cólera.vergonha.e impotência/rolavam.rolaram mesmo/nalguns (dos)/rostos/mas os algozes não se apiedaram/ qual/quê…/ o alentejo /na sua mais negra/face

estou no entanto certo/que ficaste – para todo o sempre – incrustado no olhar/na memória (pro)funda/de quantos presenciaram/aquela/cena/ hedionda cena /de circo.romano!que/se destinava/a violentar.interiormente/a nossa – humana – dignidade/ e/que mais não pretendia/(do) que fazer-nos/(ter) medo/e/desistir

procurando – assim – atingir/funda.mente/a/esperança/que ainda/flamejava/em nós/ insistia/resistia/dentro/de/nós/ drapeja/insiste/persiste/ resiste/ o alentejo

Pintura de Ana Cunhal Zivick 2009

2. INTRODUÇÃO

CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo,continuação do meu testemunho “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e Sul do Ribatejo, testemunho de quem viveu esse período extraordinário da nossa História contemporânea que foi a Revolução de Abril, na condição de interveniente directo numa das suas mais importantes conquistas, “a menina dos olhos da revolução”, apesar de ser escrito sob forma de “Notas e Reflexões”, publicadas na página do facebook “Questão Agrária – Passado, Presente e Futuro” (https://www.facebook.com/Quest%C3%A3o-Agr%C3%A1ria-Passado-Presente-Futuro-171024781216267 ), entre Fevereiro de 2021 e Setembro de 2021, a que juntei alguns comentários e pequenas alterações formais, tem como suporte um conjunto de documentos, alguns fundamentais e incontornáveis, como sejam: a Constituição da República Portuguesa de 2 de Abril de 1976; os projectos de Constituição apresentados pelos principais Partidos representados nas instituições da República (PS-PSD-PCP-CDS), desde a Assembleia Constituinte de 1975; Diário da Assembleia Constituinte; Diário da Assembleia da República; Diário do Governo; Os Programas e posições de diferentes Partidos; Legislação sobre a Reforma Agrária e sobre a Contra Reforma Agrária, como a famigerada “Lei Barreto”; Documentação sobre a intervenção da GNR na Reforma Agrária, entre a qual o importante e esclarecedor “DOCUMENTO DE DIFUSÃO INTERNA” de 2.4.1980, da autoria do General Passos Esmeriz, que me foi gentilmente cedido pelo Antropólogo Paulo Lima; Conferências da Reforma Agrária, seus balanços e conclusões; Balanços com resultados e objectivos de UCP.s; Publicações de diversas entidades e instituições intervenientes no processo como Sindicatos, Secretariados das UCP.s, “CRARA – Associação de Apoio à Reforma Agrária”, “Tribunal Cívico sobre a Reforma Agrária”; Comissão de Defesa de Alqueva, seus Congressos e conclusões dos mesmos; Declarações e intervenções institucionais de diferentes protagonistas; a que se junta a bibliografia consultada e imagens e algumas fotos de que se foi dando conta juntamente com as “Notas e Reflexões” publicadas e cujas imagens se reproduzem em Bibliografia; imprensa desse exaltante período, entre a qual destaco “O Camponês”, “Jornal Reforma Agrária”, “Diário de Lisboa”, “Avante”, “Diário do Alentejo”, “Alavanca”, entre outros.“CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” é mais um contributo para esse constante e indispensável combate pela reposição da VERDADE, CONTRA A FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA.

Falsificação miserável que procura inverter responsabilidades e ilibar os responsáveis desse crime hediondo e de lesa-pátria, que foi o premeditado e bárbaro assassínio da “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e sul do Ribatejo.

Assassínio que, para além de Crime Político, foi igualmente Crime Económico, Crime Social, Crime Cultural e Ambiental. Crimes que importa conhecer e denunciar em toda a sua dimensão, porque uma das causas do atraso ainda prevalecente na nossa agricultura e da crescente perda da nossa soberania e independência neste sector estratégico, em que é crescente a nossa inaceitável dependência, que é o sector agro-alimentar .

Crime Político, Económico, Social, Cultural e Ambiental que está na origem doAlentejicídioem curso que urge combater e que tem vindo a condenar inexoravelmente o Alentejo, UM POVO, UMA CULTURA, UMA REGIÃO, à morte lenta em que hoje agoniza. Tudo em nome dos interesses e privilégios de quem sempre viveu à custa da exploração e opressão de quem a terra trabalha. Primeiro em nome dos latifundiários e grandes agrários capitalistas, hoje em nome do capital sem rosto das grandes multinacionais agro-alimentares a quem tem vindo a ser alienado esse património estratégico e único que é a Terra, património que devia ser inalienável, porque território nacional. TUDO EM NOME DE UM ANTI-COMUNISMO PRIMÁRIO E PELA CONQUISTA DO PODER A QUALQUER PREÇO, Tudo para servir uns poucos, muito poucos, cujos privilégios foram postos em causa a 25 de Abril de 1974. Tudo contra a LIBERDADE-DEMOCRACIA-SOCIALISMO.

Crime Político, Económico, Social, Cultural e Ambiental cometido no Portugal de Abril, por democratas anti-fascistas que, de braço dado com a extrema direita e outros encapotados defensores da ditadura fascista, de braço dado com Spinola e associações e movimentos golpistas e criminosos a este associados, não respeitaram os seus compromissos democráticos, rasgaram os programas dos seus próprios partidos, violaram de forma grosseira todos os compromissos assumidos, não respeitaram a Constituição que livremente construíram e votaram, traíram a Revolução de Abril, Portugal e o Povo Português.

3. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Índice

Parte 1 – A VERDADE E A FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA

CAPÍTULO I – OS PRIMEIROS PASSOS

1. A História os julgará

2. A Primeira Ocupação 10.12.1974

3. A Assembleia de 26.1.1975

4. A Declaração de Beja 2.2.1975

5. A 1ª Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul

CAPÍTULO II – A REFORMA AGRÁRIA NÃO FRACASSOU

1. A Reforma Agrária não fracassou! Foi criminosamente destruída, assassinada

2. A verdade de que eles têm medo

3. Revolução Agrária Nacional teria sido se…

4. A mentira e a calúnia na CONTRA REFORMA AGRÁRIA

5. A verdade e a falsificação da História (Parte 1)

6. A verdade e a falsificação da História (Parte 2)

7. A verdade e a falsificação da História -António Gervásio

8 . A verdade e a falsificação da História – Francisco Miguel

9 . A verdade e a falsificação da História – AS DUAS INTERVENÇÕES

10. A verdade e a falsificação da História – orientações perigosas

11. A verdade e a falsificação da História – Mais três provas documentais

12. A mentira e a calúnia no Livro Negro do MAP

13. Uma História Negra que vale milhões…

14. DÃO-SE ALVÍSSARAS

PARTE 2 – LEGALIDADE DE ABRIL

CAPITULO III – LEGALIDADE REVOLUCIONÁRIA

1. A razão dos Trabalhadores consagrada na Lei

2. Queremos a Reforma Agrária. A Legalidade Revolucionária

CAPITULO IV – A REFORMA AGRÁRIA E A CONSTITUIÇÃO

1. Reforma Agrária na Constituição. A verdade e a falsificação da História

2. Assembleia Constituinte: As propostas dos Partidos

3. A Reforma Agrária na Constituição da República

4. Violação e incumprimento da Constituição

5. Para onde vai o PS? Conferência de Imprensa de 20.6.1977

PARTE 3 – A CONTRA REFORMA AGRÁRIA

CAPITULO V – A FAMIGERADA LEI BARRETO

1. CRARA contra “Lei Barreto”

2. O PS e o debate na Assembleia da República

3. Vozes Socialistas contra a “Lei Barreto”

4. PCP sempre com os Trabalhadores

5. “Lei farfalhuda” Não acaba com os Comunistas”

6. Desonestidade Política e Intelectual

7. A Utilidade da “Lei Barreto”

CAPITULO VI – A GNR NA CONTRA REFORMA AGRÁRIA

1. A Tese de Mauro Dantas

2. O “Documento Interno” do General Passos Esmeriz

3. O “Exército de Ocupação e Opressão”

4. “A Reforma Agrária Acusa”

5. A força bruta falou mais alto

PARTE 4 A REVOLUÇÃO AGRÁRIA FOI ASSASSINADA

CAPITULO VII – O BALANÇO TENEBROSO QUE SE IMPÕE CONHECER E DIVULGAR

1. Crime Político, Social, Económico, Cultural e Ambiental

2. Crime Político e Traição

3. Crime Social

4. Crime Económico (Parte I)

5. Crime Económico (Parte II) Alqueva

6. Crime Económico (Parte III) Alqueva Agricultura

7. Crime Económico Alqueva Turismo e Água

8. Crime Cultural

9. Crime Ambiental – Foi para isto que se fez Alqueva?

PARTE 5 – CONTRA A MENTIRA, A CALÚNIA, O INSULTO: A VERDADE DOS NÚMEROS

CAPITULO VIII – AS UCP.S NÃO FALIRAM! FORAM DESTRUÍDAS

1. Balanço da 2ª Conferência da Reforma Agrária

2. UCP 1º de Maio – Avis

3. UCP de Casebres – Casebres, Alcácer do Sal

4. UCP Freguesia de Unidade – Ervidel, Aljustrel

5. UCP 12 de Maio – Montargil, Ponte de Sôr

6. UCP Monte, Abrela e Marinhais – Sta Maria Castelo, Alcácer do Sal

7. UCP Esquerda Vencerá – Pias, Serpa

8. UCP Aqui Lutamos Todos – Peroguarda, Ferreira do Alentejo

9. A 5ª Conferência da Reforma Agrária… 5 anos depois

10. Porquê o exemplo de apenas estas 7 UCP.s e não de tantas outras?

CAPITULO IX – A LUTA CONTINUA! VIVA A REFORMA AGRÁRIA!

1. A 12ª Conferência da Reforma Agrária – Um Hino à Revolução

2. Luta e Solidariedade. Homenagem a quem com eles e por eles lutou

3. “O ALENTEJO, PORTUGAL, , PRECISAM…” VIVA A REFORMA AGRÁRIA

***************************************************

A 12ª Conferência da Reforma Agrária – Um Hino à Revolução

A 12ª Conferência é a última das Conferências da Reforma Agrária. Cavaco Silva/PSD, com a sua “Lei do Latifúndio”, consumaria o último acto do seu premeditado assassínio, iniciado por Mário Soares/PS com a sua famigerada “Lei Barreto”.

A Contra Revolução, em que PS-PSD-CDS se empenharam denodadamente e de braço dado, vingava em Portugal. Consumava-se a sórdida negação da Constituição de Abril. Oa sucessivos governos da santa aliança eram governos que actuavam “fora-da- lei” que não respeitavam as leis que eles próprios faziam e, sobretudo, atuaram sempre contra o espírito e a letra da Constituição. Uma vergonha para quem sempre invocou o Estado de Direito Democrático.

A reforma agrária da abundância, pacificadora e do sucesso tão propagandeada no decurso da contra Reforma Agrária foi sigilosamente, envergonhadamente, fazer companhia ao “Socialismo em Liberdade”, ao “Socialismo Democrático”, ao “Socialismo Português”, com que prodigamente bombardearam as Portuguesas e Portugueses até à consumação do seu hediondo crime.

Após 15 anos de Heroica resistência a “Revolução Agrária”, nunca baixando os braços, nunca desistindo, tudo fazendo para evitar o caos que poderia resultar de um súbito baixar os braços ou de um salve-se quem puder, sucumbiu face à barbárie dos seus assassinos. Morreu de pé, como só os Heróis autênticos sabem morrer, legando ao Povo Português uma “PROPOSTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA DO SUL DO RIBATEJO E DO ALENTEJO”, testemunho da forma positiva, construtiva e Patriótica como sempre se posicionaram.

Uma Proposta que, se ouvida e considerada, como era dever de quem governava, teria evitado o crime económico, social, cultural e ambiental que afectou e afecta, dramaticamente, toda a zona do latifúndio. Teria evitado o “Alentejicídio” em curso, que condena o todo UM POVO-UMA CULTURA- UMA REGIÃO à morte lenta, apesar de todas as suas enormes potencialidades.

Falou mais alto a cegueira anti-comunista, o mesquinho interesse partidário e o revanchismo político, contra quem, pacificamente, tomou em suas mãos a Terra e ousou fazer diferente, comprovadamente melhor, apesar da brutal hostilidade que lhes foi movida a partir do 25 de Novembro de 1975: OS HOMENS E MULHERES DA REVOLUÇÃO AGRÁRIA, HERÓIS QUE SE IMPÕE REABILITAR E HOMENAGEAR.

PROPOSTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA DO SUL DO RIBATEJO E DO ALENTEJO” que constituía uma verdadeira e séria alternativa à política criminosa, anti-constitucional, anti-Patriótica, que PS-PSD-CDS vinham desenvolvendo para reconstituir os privilégios de latifundiários e capitalistas agrários, causa do atraso e subdesenvolvimento da Agricultura Portuguesa e, sobremaneira, causa do atraso e subdesenvolvimento de todo o Alentejo.

Luta e Solidariedade. Homenagem a quem, com eles e por eles, lutou

Luta e Solidariedade em defesa e apoio à “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e Sul do Ribatejo foi uma constante que mobilizou, de Norte a Sul todas as forças progressistas da sociedade portuguesa entre 1975 e o início dos anos 90, anos em que, com a Lei do Latifúndio” de Cavaco Silva/PSD, se consumou o seu bárbaro assassínio.

Não será exagero afirmar-se que a “Revolução Agrária” foi uma das conquistas de Abril que mais acções de solidariedade gerou, em sua defesa, na sociedade portuguesa. Portuguesas e Portugueses, de todos os sectores de actividade e de Norte a Sul do País, participaram, das mais diversas formas, em acções de solidariedade para com a “Revolução Agrária”.

Ofertas materiais, sobretudo em máquinas e alfaias, jornadas de trabalho, participação em manifestações e comícios, sessões de esclarecimento, espetáculos de solidariedade, mobilizaram durante todos estes anos a atenção de centenas de milhares de cidadãos, não sendo poucas as crises políticas geradas pela resistência à “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo.

Momento alto da luta e solidariedade para com a “Revolução Agrária” foi sem dúvida o autêntico “levantamento nacional” que se verificou quando foi conhecido o projecto de “Lei Barreto”, que deu início e força à “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo.

Foram muitas, mesmo muitas, as centenas de milhares de Portuguesas e Portugueses que se mobilizaram de Norte a Sul em defesa da “Revolução Agrária” e contra a famigerada “Lei Barreto”/Mário Soares.

António Barreto ficará para sempre na História como o principal coveiro da “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e Sul do Ribatejo e, por mais branqueamentos que lhe façam, como autor de algumas das páginas mais negras, de todas as negras páginas, da “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo.

FORAM 15 ANOS DE LUTA E RESISTÊNCIA DOS HEROICOS E SOFRIDOS TRABALHADORES, HOMENS E MULHERES, DA “REVOLUÇÃO AGRÁRIA”. FORAM 15 ANOS DE FORTÍSSIMA SOLIDARIEDADE DOS SECTORES MAIS PROGRESSISTAS DA SOCIEDADE PORTUGUESA.

Mas a Solidariedade para com a “A REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e Sul do Ribatejo extravasou fronteiras, gerando relações e acções extraordinárias de apoio e solidariedade quer nos Países de orientação socialista, com destaque para a União Soviética e Republica Democrática Alemã (RDA), quer em Países Capitalistas como a França, a Espanha, a Bélgica, a Alemanha, a Inglaterra, a Holanda, a Suíça ou o Luxemburgo… o documento que reproduzo com estas “Notas e Reflexões” são disso testemunho.

Mas separemos as águas e clarifiquemos que, enquanto a solidariedade nos Países de orientação socialista foi assumida não apenas pelos seus respectivos povos mas também ao nível dos seus Estados, nos Países capitalistas a solidariedade foi sempre oriunda dos respectivos Povos não tendo havido qualquer solidariedade ao nível dos respectivos estados, bem pelo contrário, da parte destes só há registos negativos como o não fornecimento de material sobressalente para a manutenção de máquinas agrícolas ou ingerências descaradas em defesa dos interesses de alguns grandes agrários oriundos dos mesmos.

A Solidariedade, mais do que os resultados materiais, que foram muitos e muito significativos, só a oferta em máquinas da União Soviética representou na altura mais de meio milhão de euros, tinha, sobretudo um valor que não é passível de quantificar em euros, que era o ânimo e a confiança que incutia em quem tinha que enfrentar no quotidiano um Estado que agia como um “fora-da-lei”, recorrendo a todos os meios repressivos ao seu dispor, para garantir na sua destruição. Só a extrema determinação e garantir o sucesso da produção , e o saber que a sua justeza da sua luta encontrava eco não só em todo o País mas também fora dele constituía um estímulo extraordinário para o prosseguimento firme e determinado não só no enfrentamento permanente do exército de ocupação como no prosseguimento da batalha da produção em que sempre venceram.

Sim! A Solidariedade FOI, É, SERÁ SEMPRE, um muito importante estímulo para quem luta pela LIBERDADE-DEMOCRACIA-SOCIALISMO.

A “REVOLUÇÃO AGRÁRIA” BENEFICIOU DE UMA ENORME SOLIDARIEDADE. PODE-SE AFIRMAR, COM FUNDAMENTADO ORGULHO, QUE OS SEUS OBREIROS SOUBERAM HONRAR A MESMA COM A SUA FIRME E DETERMINADA LUTA, SEM DÚVIDA A MELHOR HOMENAGEM QUE PODERIAM PRESTAR A QUEM, COM ELES E POR ELES, LUTOU.

UMA LUTA SECULAR QUE CONTINUA…

A MENTIRA E A CALÚNIA NO LIVRO NEGRO DO MAP

Mentir, caluniar e ameaçar os Trabalhadores, os Sindicatos e as UCP.s era, para Barreto, Portas e quejandos, como respirar… o pão nosso de cada dia…

Habituado a falar sozinho ou entrevistado, por quem se baba e delicia com o seu anti-comunismo, Barreto até parece ter sempre a razão do seu lado… Sim, porque se fosse confrontado com as suas comprovadas mentiras, calúnias e ameaças, perante as Câmaras de Televisão, talvez Barreto perdesse aquela pose de intelectual que tudo sabe e nunca se engana, como certos comentadores encartados que pululam nas televisões, rádios e jornais ditos de referência, e assumisse a sua verdadeira natureza de mentiroso e caluniador compulsivo… repito e sublinho-o MENTIROSO E CALUNIADOR!

E para que não subsistam dúvidas sobre o que acabo de afirmar convido a que leiam o que sobre a matéria foi afirmado no Livro Negro do MAP, publicado em Julho de 1977 e a que Barreto, como diz o Povo, não turgiu nem mugiu, e, claro, os seus cúmplices entrevistadores/entrevistadoras, fazem de conta que não existe… pois sua Excelência não pode ser confrontado com a verdade dos factos… estes podem-lhe ser fatais… ou no mínimo, causar azia.

Mas passemos ao Livro Negro do MAP…

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A verdade e a falsificação da História – orientações perigosas

O documento “PONTOS ESSENCIAIS PARA O AVANÇO DAS UNIDADES”, (leia-se UCP.s) que em seguida se publica é um documento produzido pela Direcção do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja, a 28.6.1976, destinado a servir de orientação aos Delegados Sindicais na sua relação com as UCPs e com os trabalhadores das mesmas.

Precursor de “ALGUMAS NOTAS DE ORIENTAÇÃO PARA O TRABALHO DAS UCP(s) COOPERATIVAS AGRÍCOLAS”, editado pelos Secretariados das UCP.s em Fevereiro de 1977, que se publica no ponto seguinte, este documento inédito para muitos, é elucidativo, quanto às orientações que eram defendidas pelo Sindicato: Realizar Plenários/Assembleias regulares e discutir os problemas com todos os trabalhadores, eleger por voto secreto e com o voto de todos os trabalhadores os dirigentes da UCP… PERIGOSAS ORIENTAÇÕES segundo os inimigos da “REFORMA AGRÁRIAA Revolução no Alentejo” e defensores da “CONTRA REFORMA AGRÁRIATerror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo.

Pela sua leitura não será difícil perceber a malvadez e falsidade dos que, incapazes de esconder o seu ódio à Reforma Agrária, e conscientes do sério obstáculo que tinham nos Sindicatos às suas pretensões contra revolucionárias, procuravam, por todos os meios, virar os trabalhadores contra os Sindicatos acusando-os de pretenderem ser os novos patrões e controlar a vida das UCP.s. Mentirosos sem vergonha. Nunca será demais denunciar-vos e às vossas torpes manobras.

Como se trata de documentos e eles falam por si, sublinharia apenas,, porque particularmente relevante, o ponto referente a posição clara da abertura do Sindicato em relação às diferentes e livres opções que eram colocadas aos trabalhadores quanto ao quererem ou não ficar a trabalhar na UCP.

Claro que o comandante do “Exército de Ocupação e Opressão”, General Passos Esmeriz, especialista comprovado na guerra colonial e spinolista convicto, não deixaria de encontrar em todas estas orientações manobras de diversão do perigoso e maquiavélico adversário , a força dominante na região, que segundo os seus sucessivos mandantes – Mário Soares, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mota Pinto… – preparavam secretamente o assalto ao poder da República com vista à implantação da sua feroz ditadura de que era exemplo o que se estava já a passar no Alentejo.

Claro que Barreto e Portas queriam dar uma Herdade de 200 hectares a cada trabalhador… aliás já tinham preparada a expropriação da vizinha Andaluzia para garantir a sua reforma agrária da abundância… O que o Sindicato propunha era a divisão da miséria e não da riqueza que estava logo ali ao virar da esquina com as “Cooperativas Livres do Baixo Alentejo – COLBA” que os trabalhadores só por ameaça dos comunistas é que não abraçavam de alma e coração… ou então nas UECT forma superior e muito intelectual de apelidar as herdades do Estado… nada de confusões com a estatização comunista que ocupava já todo o Alentejo e que era preciso destruir com urgência, pois, era a liberdade e a democracia que estava em jogo no País…

CRIMINOSOS SEM ESCRÚPULOS. A HISTÓRIA OS JULGARÁ.

A UTILIDADE DA FAMIGERADA LEI BARRETO

7. A Utilidade da famigerada “Lei Barreto”

QUEM AFIRMAR QUE A FAMIGERADA LEI BARRETO NÃO FOI MUITO ÚTIL ESTARÁ A MENTIR. INTERROGUEM-SE OS LATIFUNDIÁRIOS E GRANDES AGRÁRIOS. INTERROGUEM-SE OS CONTRA REVOLUCIONÁRIOS DE TODAS AS MATIZES. INTERROGUEM-SE OS FASCISTAS TRAVESTIDOS DE DEMOCRATAS, DE CRAVO AO PEITO APÓS O 25 DE ABRIL, AGORA COM FALINHAS MANSAS CONTRA O REGIME DEMOCRÁTICO E A ARROGÂNCIA ANTI-COMUNISTA DE SEMPRE, E DEPOIS FALAMOS.

Os documentos que servem de base a estas “Notas e Reflexões”, documentos publicados a poucos meses do bárbaro assassínio de Casquinha e Caravela, assassínio até hoje impune, como tantos outros cometidos no passado, testemunham igualmente sobre a enorme utilidade que a famigerada “Lei Barreto” teve para a direita e extrema direita com quem o PS de Mário Soares andou permanentemente de braço dado em espúrias alianças contra a Revolução de Abril.

Eles dispensam comentários. Falam por si. Claro que para o comandante supremo do “Exército de Ocupação e Opressão”, General Passos Esmeriz, e seus mandantes, as imagens da repressão e as denúncias feitas não passam de montagens e mentiras do perigoso e maquiavélico adversário, o PCP e seus satélites, os Sindicatos e as UCP.s, contra as suas forças de libertação do Alentejo da ditadura comunista. Pena é que tão zeloso General nunca tenha apresentado uma única imagem a provar as pretensas cargas do adversário contra o seu pacífico “Exército de Ocupação e Opressão”, nem tenha tido a preocupação de processar criminalmente os assumidos autores dos documentos citados e distribuídos aos milhares.

Mas leiam-se os documentos e reflita-se sobre os mesmos.

“CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo

A verdade e a falsificação da História…

CRARA – UM CONTRIBUTO IMPORTANTE PARA A VERDADE E PARA A HISTÓRIA DO LATIFÚNDIO E DA REFORMA AGRÁRIA (Parte 2)

CRARA CONTRA <<LEI BARRETO>>” Publicado a 14 de Julho de 1977, é documento de leitura obrigatória para quem procura saber a verdade e combater a falsificação da História. Nele se escalpeliza ponto por ponto, artigo a artigo, o verdadeiro significado da famigerada “Lei Barreto”, cuja aprovação e aplicação iria comprovar, da forma mais negativa, tudo quanto nele se afirma.

A leitura e reflexão séria e isenta de“CRARA CONTRA <<LEI BARRETO>>” permite uma maior compreensão do papel nefasto que a famigerada “Lei Barreto” teve no processo da “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo e das particulares e imperdoáveis responsabilidades de Mário Soares que, abraçando o plano contra revolucionário de Frank Carlucci/CIA, foi determinante para o êxito do cobarde e bárbaro assassinato de uma das mais belas conquistas de Abril, a “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” e Sul do Ribatejo, crime político, económico, social, cultural e ambiental retratado nas “notas e reflexões” publicadas.


Nota: Uniões ou Secretariados e não “ Uniões ou Secretarias” como consta no 2º parágrafo por gralha.

OS CRIMES POLÍTICOS NUNCA PRESCREVEM! A HISTÓRIA OS JULGARÁ!

CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo

A verdade e a falsificação da História…

AS DUAS INTERVENÇÕES… (5ªParte)

Proferidas a 15 e 18 de Julho de 1975, já com mais de 120 mil hectares na posse dos trabalhadores, como informa António Gervásio, e com a legislação sobre a Reforma Agrária a aguardar promulgação desde 27 de Junho de 1975, (como confirmam os telegramas trocados a 24.7.1975 entre o Conselho Regional da Reforma Agrária de Beja e o Ministério da Agricultura de Fernando Oliveira Batista, ver páginas 211 e 212 de “REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo”) as intervenções proferidas por António Gervásio e Francisco Miguel, na Assembleia Constituinte, revestem-se de especial significado no contesto das “Notas e Reflexões” sobre a “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo” e Sul do Ribatejo.

Elas demonstram, por antecipação, algumas das teses e falsidades dos adversários e inimigos da REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo, que ainda hoje há quem queira fazer passar por verdades.

Justificando e clarificando o pensamento dos Comunistas em relação À Reforma Agrária, as intervenções proferidas traduzem o conhecimento profundo da realidade que se vivia nos campos, não só no Alentejo mas no todo Nacional, exprimindo, sem retóricas desnecessárias nem ardilosas e eloquentes oratórias, as propostas avançadas pelo PCP, no seu projecto Constitucional. Elas não deixam margem para dúvidas e muito menos espaço para as especulações e os alarmismos que vinham sendo fomentados e se viriam a intensificar, sobretudo, no Centro e Norte do País, contra a ameaça do “papão comunista” que tudo ameaçava, tudo queria ocupar e estatizar, como já estaria a acontecer no Alentejo e Sul do Ribatejo.

Como afirmou António Gervásio “A reforma agrária faz parte dos objectivos e da luta do, meu Partido ao longo dos anos da ditadura fascista. (…) consagrada no programa do meu Partido aprovado em 1965.” sublinhando, mais adiante,

o conteúdo, claro e de profundo significado, do inscrito no artigo 8.º, alínea b) do projecto de Constituição apresentado pelo PCP, onde se pode ler: «realizar reforma agrária pela expropriação do latifúndio e das grandes explorações capitalistas segundo o princípio a terra a quem a trabalha, respeitando a pequena e média propriedade da terra»

E noutro passo da sua intervenção: “Na zona da pequena e média propriedade a reforma não passa pela expropriação do pequeno e médio campesinato. Aí a reforma agrária não consiste em tirar a terra, mas, ao contrário, dar-se terra a quem tem pouca ou não tem nenhuma e dar ajuda financeira e técnica.A reforma agrária não tira a terra aos pequenos e aos médios camponeses, como a reacção propaga aos quatro vento

O respeito pela pequena e média propriedade, a defesa dos interesses e a necessidade de apoio do Estado aos seus detentores é, aliás, uma proposta bem sublinhada e repetida nas duas intervenções.

Não é o facto de se poder ter verificado um ou outro caso isolado, como resulta claro do trabalho da Comissão de Análise, criada pelo Ministro Lopes Cardoso, para avaliar as tão badaladas “ocupações selvagens” de pequenas e médias explorações, que não teriam cabimento face à legislação em vigor, situações que tanto o PCP, como os Sindicatos Agrícolas não só contrariaram, como manifestaram sempre total disponibilidade para intervir no sentido de proceder à sua correcção, que pode ser invocado, pelos seus inimigos e detractores, para justificar o crime do assassínio da REFORMA AGRÁRIA e o desenvolvimento da “CONTRA REFORMA AGRÁRIA – Terror, Destruição e Morte no Alentejo e Sul do Ribatejo.

As intervenções proferidas não deixaram dúvidas sobre o significado nefasto da economia latifundiária, ainda prevalecente na sociedade portuguesa em 1974, o seu peso e a sua responsabilidade no atraso e subdesenvolvimento da agricultura nacional, nas condições de exploração e negação de direitos fundamentais a quem a terra trabalhava mas dela dificilmente tirava o sustento.

Como foi afirmado:

Somos um Portugal atrasado, porque sempre no nosso país predominou a grande propriedade. Isto aconteceu no nosso país, acontece e tem acontecido em todos os países. Não há nenhum país onde a grande propriedade agrária latifundiária predominou que fosse desenvolvido. Era atrasada a Rússia dos czares, eram atrasados os países balcânicos, antes da revolução socialista. Era atrasada a Polónia, são atrasados os países do Próximo Oriente onde predomina a grande propriedade agrária, de raiz, feudal, é atrasado o Sul da Itália, a Espanha, Portugal, o Brasil; todos os países onde predomina a grande propriedade agrária latifundiária.

ao sul, temos o grande latifúndio com muitas centenas e milhares de hectares de terra de um só senhor ou de uma só família. Ao norte, temos a pequena e muito pequena propriedade (…)

3 % do total das explorações agrícolas, ou seja, 2600, têm mais terra do que 780 000 explorações,mais terra do que 97% do total dessas explorações agrícolas!No Sul de Portugal estão situadas as maiores herdades da Europa capitalista, como, por exemplo, as herdades de Palma (16 000 ha), Comporta (29 000 ha), Rio Frio (17 000 ha), Machados (6000 ha), Companhia das Lezírias (mais de 30 000 ha), Casa Cadaval (15 000 ha), etc., e muitas outras, na sua maioria incultas ou mal aproveitadas. Na opinião do PCP não haverá em Portugal uma só reforma agrária, mas, digamos, duas reformas agrárias.Na zona da grande propriedade a reforma agrária passa pela expropriação dos latifundiários e das grandes explorações agrícolas capitalistas.”

No concelho de Cuba, segundo o estudo invocado por Francisco Miguel, que Henrique de Barros assumiria como participante no mesmo, em “700 proprietários, 11 tinham mais de metade da terra da freguesia e, entre eles, três eram predominantes – entre estes 11. Uma propriedade, nesta freguesia, com 2 ha, pagava então 75$ de imposto por hectare. E, na mesma freguesia, uma propriedade com 800 ha, terras da mesma qualidade e porventura mais produtivas, pagava 8S por hectare.”o que, para além da concentração da terra nas mãos de meia dúzia de famílias, põe em evidência o protecionismo do regime fascistas em relação à grande propriedade latifundiária em termos de política tributária.

Por outro lado, como o demonstram as transcrições que se seguem, ele põe em evidência a natureza parasitária do modelo de economia latifundiária e a necessidade de lhe pôr cobro:

o absentismo significa que uma grande parte do valor criado pelos camponeses com o seu trabalho vai, em forma de renda, para um sector puramente parasita, que até do ponto de vista capitalista não interessaria”

há uma contradição profunda entre os interesses do grande latifundiário absentista e o próprio empresário agricultor, que cultiva a terra, mesmo que ele seja capitalista.”

o empresário capitalista que não fazia investimentos porque a terra não era sua” “se fizesse investimentos, se melhorasse a terra e a tornasse mais produtiva,” “a renda era aumentada. Resultado: o dono da terra, latifundiário, cujos direitos através da história têm, sido conhecidos, não faz investimentos; o empresário, ou porque é pequeno ou porque é capitalista não dono da terra, não os faz também. O atraso da nossa agricultura tem esta raiz – um atraso técnico e geral.”

temos de reconhecer que o predomínio da propriedade latifundiária tem sido um grande factor do nosso atraso geral, porque, efectivamente, empobrecendo a massa camponesa que trabalha nos campos, não lhe dando poder de compra, é uma cadeia que não se move. E, por isso, a reforma agrária será o primeiro elo da cadeia do nosso desenvolvimento geral”

Se no nosso país, em 1834, na altura dos liberais, se tivesse feito uma reforma agrária, na altura em que se terminou com as propriedades de mão morta pelas leis desse ministro, progressivo no seu tempo, Mouzinho da Silveira, ou se, mesmo em 5 de Outubro, a revolução que implantou a República tivesse feito a reforma agrária, muito diferente seria hoje o nosso país. Seríamos muito mais desenvolvidos. Mais ainda, em 5 de Outubro o rei perdeu a coroa, mas não perdeu um palmo das suas vastas propriedades! A reforma agrária, de que o País já precisava, não foi feita”

Por terra caiem, igualmente, as teses que as propostas de Reforma Agrária do PCP não passavam de propostas de expropriação e nacionalização da terra. Também aqui as intervenções proferidas não deixam margem para dúvidas quanto à grosseira falsidade de tais afirmações. Como foi afirmado:

a reforma agrária não consiste apenas na expropriação dos grandes latifundiários e entregar a terra a quem a trabalha. A reforma agrária consiste igualmente na ajuda do Estado às novas cooperativas e explorações agrícolas, aos pequenos e médios camponeses, concedendo créditos em condições favoráveis, fornecendo máquinas agrícolas, sementes, gados, adubos, pesticidas; acabando com formas feudais de exploração, como foros, parcerias e outros; perdoar as dívidas usurárias dos camponeses pobres; alargar as isenções de impostos ao campesinato pobre, estabelecendo um sistema progressivo de contribuição predial rústica segundo o princípio «paga mais quem mais tiver». A reforma agrária consiste também no fomento de parques de tractores e máquinas agrícolas, construção de silos, adegas, lagares, barragens, electrificação rural, construção de estradas, construção de escolas e institutos e formação de milhares de especialistas agrícolas. Consiste na formação de cooperativas de comercialização que assegurem em condições eficazes a compra dos produtos agrícolas por preços compensadores e o fornecimento à agricultura dos produtos necessários.”

Igualmente importante é a clarificação e precisão da posição do PCP acerca da política de indemnizações avançada no seu projecto de Constituição no

Artigo 22º, n.º 2

(…) a lei poderá determinar que a expropriação dos latifúndios e dos grandes proprietários, empresários e accionistas não dê lugar a qualquer indemnização.” que diferencia o seu projecto de todos os outros.

Ambas as intervenções defendem explicitamente que as expropriações dos latifúndios e das grandes explorações agrícolas capitalistas sejam levadas a cabo sem indemnização”.

Como esclareceria Francisco Miguel “uns, em consideração aos direitos da propriedade, entendem que os latifundiários devem ser indemnizados. Nós, por exemplo, entendemos que não devem ser indemnizados. Talvez fosse mais justo pôr até o problema: se durante muitos anos, ilegitimamente, exploraram a massa camponesa do nosso país, seria justo e razoável que ainda tivessem que pagar alguma coisa além de perderem as terras.” “e se, no conjunto, esta Assembleia não quiser ir tão longe que tenha, pelo menos, a decisão de dizer que a propriedade latifundiária vai desaparecer e as terras vão ser para o nosso país, para o nosso povo que trabalha a terra – a terra a quem a trabalha, efectivamente -, os que até agora beneficiaram dessa injustiça para com os camponeses deixem de receber rendas e lucros a que realmente não têm direito”.

Os Decretos emanados do IV Governo Provisório, ao admitirem o direito à indemnização pelas expropriações de acordo com a lei, que nenhum governo após o 25 de Novembro fez questão de cumprir, porque destruir a Reforma Agrária é que era o seu objectivo estratégico, deixam clara a falsidade dos que, escamoteando as suas responsabilidades nos governos provisórios, onde até eram maioria, procuram fazer crer que nada tiveram a ver com os Decretos referidos e considerados como “as leis da Reforma Agrária”.

Uma última mas muito pertinente observação, porque associada às falsidades sobre a posição do PCP em matéria do modelo defendido para a exploração das terras expropriadas, é a ausência de referência às Unidades Colectivas de Produção Agrícola – UCP.s.

Desde logo chamar a atenção que, à data das intervenções, não se podia falar em UCP pois, estas não correspondiam a qualquer dos modelos conhecidos no mundo, viriam a ser uma das especificidades da Reforma Agrária Portuguesa, e a primeira, a Vanguarda do Alentejo, só viria a ser constituída a 17 de Outubro de 1975, razão pela qual também não podiam constar no projecto de Constituição apresentado pelo PCP.

O que poderia ter sido introduzido num dos discursos, quando muito, era o conceito de “Herdade Colectiva”, na medida em que já fora introduzido no memorando, entregue por uma delegação constituída por António Gervásio, Diniz Miranda, Américo Leal e Joaquim Velez, a 12 de Junho de 1975, ao Ministro da Agricultura, Fernando Oliveira Batista, como um “de 3 tiposprincipais de unidades de produção a instalar nas terras expropriadas do Sul” sendo os outros dois as “Herdades do Estado” e as “Cooperativas de produção”. (Questão tratada de forma desenvolvida em

“REFORMA AGRÁRIA – A Revolução no Alentejo” no capítulo XI, páginas 235 a 258.)

Optou na altura o PCP , em minha opinião bem, por reservar esta questão, pois vivia-se um processo cuja dinâmica exigia prudência e qualquer solução, que os trabalhadores pudessem vir a consolidar, estaria salvaguardada pela questão de princípio que sempre orientou a posição do PCP e que, essa sim, foi reafirmada nas intervenções em análise, que é a do respeito pela vontade dos próprios como consta desde sempre nos seus programas.

Não há por isso qualquer contradição ou falta à verdade quando se afirma:

Defende que as terras expropriadas sejam entregues aos assalariados agrícolas e aos camponeses pobres, sem terra ou com pouca terra, para serem exploradas em forma de cooperativas, e noutros casos entregues ao Estado para serem exploradas em grandes herdades estatais.”

O PCP defende que a reforma agrária se faça com a participação activa dos assalariados agrícolas e dos pequenos e médios camponeses e de acordo com a sua vontade.”

Como foi sublinhado

o Partido Comunista Português sempre esteve firmemente ao lado daqueles que regam a terra com o seu suor, na luta constante contra o desemprego, por melhores jornas e condições de trabalho”

Foi assim no passado. Assim é no presente. Assim deve continuar a ser no futuro!